Hedge funds globais retomam estratégia pré-guerra após acordo entre EUA e Irã

Hedge funds globais retomam estratégia pré-guerra após acordo entre EUA e Irã — Real Estate | Versia.media

Publicidade

Uma mescla atípica de títulos do Tesouro dos EUA de vencimentos mais curtos, divisas asiáticas bastante desvalorizadas e até papéis de fabricantes de macarrão instantâneo pode figurar entre os primeiros favorecidos pelo pacto entre Estados Unidos e Irã, na avaliação de gestores de fundos hedge globais.

Com investidores mais táticos retomando estratégias adotadas antes do conflito, a Grey Value Management, na Flórida, enxerga valor nos papéis de curto prazo do governo norte-americano. A Reed Capital Partners, baseada em Cingapura, segue a mesma linha e também está adquirindo iene. Já a Vantage Point Asset Management considera que ações do Sudeste Asiático, fortemente penalizadas, podem passar a ter um desempenho superior.

Thomas Hayes, presidente do fundo hedge Great Hill Capital, em Nova York, está monitorando uma chance de comprar ações de consumo nos Estados Unidos, conforme a confiança do mercado se recupera.

Guia gratuito

Onde Investir no 2º semestre

"Com as expectativas de inflação diminuindo após o acordo, a estratégia é retornar ao que funcionava em janeiro ou fevereiro — antes da guerra", afirmou Hayes, cuja gestora administra mais de US$ 1 bilhão.

O acordo de paz entre EUA e Irã, que será assinado na sexta-feira, elimina um importante fator de pressão sobre os mercados globais após meses de conflito que provocaram a maior interrupção da oferta de petróleo da história e alimentaram temores inflacionários ao redor do mundo. O petróleo caiu na segunda-feira, impulsionando uma alta de ações e títulos, enquanto o dólar perdeu força com a redução da demanda pelo principal ativo de proteção global.

Irã afirma que Líbano é parte integrante do acordo de paz com EUA

Rascunho do memorando menciona o Líbano por três vezes

Irã carrega tensão geopolítica ao campo contra Nova Zelândia mesmo após acordo de paz

Trump anunciou a concretização do acordo com a República Islâmica, cuja assinatura será realizada no dia 19, pouco depois de a seleção chegar à Califórnia

Os Treasuries avançaram em toda a curva na segunda-feira, à medida que a queda do petróleo levou investidores a reduzir apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve.

Para Chauwei Yak, CEO da GAO Capital Pte, em Cingapura, os vencedores devem incluir empresas asiáticas.

As ações da Ásia foram fortemente impactadas pela guerra entre EUA e Irã, já que as principais economias da região são importadoras de petróleo. Os índices de Índia e Indonésia estão entre os piores desempenhos do mundo neste ano, enquanto as moedas dos dois países caíram a mínimas recordes.

"Podemos reavaliar algumas empresas que seriam afetadas pelos preços do petróleo caso a guerra se arrastasse até o verão, como as de macarrão instantâneo, por causa da dependência de óleo de palma", disse Yak.

Continua depois da publicidade

A Golden Horse Fund Management aprecia importadores asiáticos de energia, incluindo Japão, Coreia do Sul e Índia, que tendem a se beneficiar de contas de importação mais baixas e de menor pressão sobre o balanço externo, segundo a sócia Yi Ling Ong.

"Vemos oportunidades seletivas de reprecificação em empresas industriais e de logística expostas ao Oriente Médio, assim como em companhias de navegação que se beneficiam da normalização de Hormuz", disse Ong.

Embora o índice MSCI Asia Pacific tenha subido mais de 7% desde o início da guerra, tecnologia foi o único setor a registrar ganhos, enquanto os outros 10 grupos da indústria caíram.

Continua depois da publicidade

"Os temas com sustentação estrutural incluem os beneficiados pela expansão da IA e das energias renováveis", disse Ecaterina Bigos, da BNP Paribas Asset Management, que administra mais de 1,6 trilhão de euros (US$ 1,86 trilhão) em ativos no mundo. Bigos é diretora de investimentos e aconselha estratégias long-short para os investimentos principais em Ásia, excluindo Japão, na gestora.

Nick Ferres, da Vantage, está entre os que enxergam oportunidades em ações do Sudeste Asiático, que sofreram forte venda durante o conflito com o Irã.

"Talvez exista uma oportunidade em mercados 'esquecidos', que tiveram desempenho fraco — o Sudeste Asiático —, embora os investidores devam continuar focados no tema dominante, que é IA e seus habilitadores", disse Ferres, diretor de investimentos.

Continua depois da publicidade

As criptomoedas subiram, com o bitcoin tocando o maior nível em quase duas semanas, depois de ter recuado recentemente ao menor patamar desde a vitória de Donald Trump na eleição de 2024. Ainda assim, traders de cripto seguiram cautelosos, à espera de sinais mais claros de que o conflito realmente terminou. Mesmo após a recuperação, o bitcoin continuava cerca de 48% abaixo do recorde atingido em outubro passado.

"Usamos parte da nossa posição em caixa para comprar cripto, principalmente projetos de cripto ligados à IA, no fim de semana", disse Richard Galvin, chairman executivo da gestora de cripto DACM. "Mas seguimos um pouco cautelosos porque Irã e EUA ainda não assinaram o acordo final de paz."

Apostas macro

Enquanto isso, fundos hedge afirmam que o cenário para câmbio e renda fixa é mais nuançado.

Continua depois da publicidade

Matthew Haupt, da Wilson Asset Management, que administra mais de A$ 6 bilhões (US$ 4,3 bilhões), está entre os que estão comprando títulos globais.

"Os juros longos fazem bastante sentido", disse o gestor em Sydney. "Os bancos centrais agora podem ser menos duros."

Em Palm Beach Gardens, Steven Grey diz estar "cautelosamente otimista" com os últimos desdobramentos e avalia que os títulos americanos de vencimento mais curto parecem mais atrativos.

Os yields dos Treasuries de dois anos caíram seis pontos-base, para 4,02%, na segunda-feira, enquanto os dos papéis de 10 anos recuaram cinco pontos-base, para 4,43%.

"Com o título de 10 anos pagando só cerca de 40 pontos-base a mais do que o de dois anos, não vemos motivo para alongar demais o prazo — nem para correr mais risco de crédito — em busca de retorno", disse o diretor de investimentos da Grey Value Management.

O dólar, por outro lado, está perdendo apelo entre alguns fundos hedge, à medida que a demanda pela moeda de reserva diminui junto com o alívio dos riscos geopolíticos.

O índice do dólar da Bloomberg caiu até 0,3% na segunda-feira, com moedas mais arriscadas de mercados emergentes entre as maiores ganhadoras frente à divisa americana. O iene, que vinha sendo penalizado em parte pela forte dependência do Japão de energia importada, voltou a ganhar adeptos.

"Estamos comprando iene, apostando tanto em um dólar potencialmente sobrevalorizado quanto em uma perspectiva estruturalmente positiva para a moeda japonesa", disse Gerald Gan, diretor de investimentos da Reed Capital, que administra US$ 600 milhões.

© 2026 Bloomberg L.P.

← Real Estate