
Abelhas africanizadas: conheça a espécie que causou a morte de um homem em Guarujá, SP
Ataque em grande número, detecção de ameaças e perseguição dos alvos . Essas são algumas das características atribuídas por especialistas às abelhas africanizadas (Apis mellifera) , popularmente conhecidas como "abelhas assassinas". Um enxame foi responsável pelo ataque que matou um homem em Guarujá , no litoral de São Paulo.
O caso ocorreu no último sábado (27), quando o homem foi atacado por um enxame enquanto capinava um terreno na Rua Agenor de Assis, no bairro Vila Itapema. Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu e morreu. Imagens obtidas pelo g1 mostram o Grupamento de Defesa Ambiental (GDA) removendo a colmeia que causou o acidente (assista acima) .
🔎 A Prefeitura de Guarujá afirmou que as abelhas desempenham papel fundamental para o equilíbrio do ecossistema e não devem ser eliminadas . Conforme a Lei Federal nº 9.605/98, que trata dos crimes ambientais, o procedimento correto é a remoção e a realocação das colmeias por equipes especializadas. O serviço pode ser solicitado por meio da Guarda Civil Municipal, pelo telefone 153.
Ao g1 , o biólogo Eric Comin explicou que a agressividade está relacionada ao sistema de defesa das abelhas africanizadas. Elas conseguem detectar vibrações e ruídos, como os provocados por cortadores de grama, a mais de 30 metros de distância do ninho .
"São consideradas 'assassinas' não pela toxicidade do veneno, mas porque atacam em grande número, reagem às vibrações à distâncias maiores e perseguem os alvos por longas distâncias", explicou.
As abelhas africanizadas foram criadas a partir do cruzamento entre as abelhas africanas e europeias — Foto: Getty Images
Segundo Comin, as abelhas podem perseguir uma pessoa por até 400 metros e o enxame permanece agitado por horas após o distúrbio.
O especialista acrescentou que o veneno de uma abelha africanizada tem a mesma toxicidade que o de uma abelha europeia. O perigo, porém, está na resposta coletiva do enxame. Ao picar, uma abelha libera um feromônio de alarme que recruta imediatamente centenas ou até milhares de indivíduos para o ataque.
"Enquanto abelhas europeias reagem a uma ameaça com dezenas de indivíduos, as africanizadas atacam em centenas ou milhares. Ao picar, a abelha libera um feromônio de alarme que recruta o restante da colmeia de forma imediata."
Como surgiu a espécie
As abelhas africanizadas surgiram no Brasil na década de 1950, após um cruzamento acidental entre abelhas africanas e europeias.
À época, o geneticista Warwick Estevam Kerr importou rainhas da subespécie Apis mellifera scutellata , originária da África, para pesquisas voltadas ao aumento da produção de mel.
Algumas rainhas escaparam de um apiário em Rio Claro, no interior de São Paulo, e cruzaram com as abelhas europeias já existentes no país. O cruzamento deu origem ao híbrido que se espalhou rapidamente pelo Brasil e por outros países das Américas.
Relembre o ataque
O Corpo de Bombeiros informou, em nota, que as equipes foram acionadas por volta das 9h20 de sábado (27) para atender a ocorrência. Os bombeiros prestaram os primeiros socorros ainda no local após o homem sofrer múltiplas ferroadas.
A vítima foi encaminhada inconsciente ao pronto-socorro de Vicente de Carvalho, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Um vídeo gravado por uma testemunha mostra o momento em que o homem é colocado na maca da ambulância de resgate para ser levado ao hospital (assista a seguir) .
Homem é resgatado inconsciente após ser atacado por enxame de abelhas no litoral de SP
Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que não havia recebido nenhum pedido anterior para remoção de uma colmeia no local onde ocorreu o ataque.
De acordo com a administração municipal, o enxame estava instalado em um ponto de difícil acesso, entre vegetação e resíduos, com indícios de existir havia alguns anos. Após a captura, a colmeia foi remanejada para uma área distante da mata, na região do Morro da Barra.
O que fazer em caso de ataque?
Bombeiros resgatam homem inconsciente após ser atacado por enxame de abelhas — Foto: g1
Segundo o especialista, quem encontrar um enxame de abelhas deve manter distância e nunca tentar remover a colmeia por conta própria. Em caso de ataque, a recomendação é agir rapidamente para reduzir o risco de novas picadas e da ação do veneno.
As principais orientações são:
Corra em linha reta e o mais rápido possível para se afastar do enxame;
Proteja o rosto e a cabeça com as mãos ou com uma peça de roupa enquanto foge;
Procure um local fechado, como uma casa, carro ou outro ambiente onde as abelhas não consigam entrar;
Não entre na água. As abelhas costumam permanecer sobrevoando o local e podem continuar o ataque quando a vítima voltar à superfície para respirar;
Retire os ferrões imediatamente, pois eles continuam injetando veneno na pele mesmo depois que a abelha se afasta;
Raspe os ferrões com uma lâmina, cartão rígido ou até mesmo a unha. Não utilize pinças nem aperte os ferrões com os dedos, pois isso pode liberar ainda mais veneno;
Aplique compressas frias ou gelo envolvido em um pano para aliviar a dor e reduzir o inchaço;
Procure atendimento médico imediatamente, principalmente em casos de múltiplas picadas, dificuldade para respirar, inchaço intenso ou sinais de reação alérgica.
Abelhas africanizadas atacam em grande número. — Foto: Reprodução/GCM Ambiental
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