Dono da Outsider e sócio usaram CNPJs de outras empresas investigadas para fazer novas vítimas em SE, aponta MP

Dono da Outsider e sócio usaram CNPJs de outras empresas investigadas para fazer novas vítimas em SE, aponta MP

Dono da Outsider Tours se torna réu por estelionato no Sergipe; sócio está foragido

O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva , dono da empresa Outsider Tours e preso na última sexta-feira (26) , utilizou uma empresa que fica no mesmo endereço de outras duas, já investigadas por estelionato, para causar um prejuízo de R$ 14,7 mil a duas vítimas em Sergipe , diz uma investigação do MP.

Juntamente com seu sócio, Armando Raymundo Neto , Fernando foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu na Justiça de Sergipe após mais um caso de fraude na venda de ingressos e pacotes para eventos esportivos.

Armando, que já é considerado foragido pela Justiça , é dono da empresa Turisport, também citada em vários processos por estelionato. O PIX da Outsider Tours para pagamento de pacotes turísticos até o ano passado era da empresa Turisport.

De acordo com a denúncia do MP de Sergipe, obtida com exclusividade pelo RJ2 e pelo g1 , Fernando Armando receberam pix de duas vítimas através dos CNPJs da empresa Infinito Viagens e Turismo e da própria Turisport.

Diligências feitas pela Justiça confirmaram que Fernando e Armando foram os beneficiários finais das transações e receberam os valores depositados pelas vítimas.

A empresa Infinito Viagens e Turismo LTDA, fundada em 2018, tem como único sócio justamente Fernando Sampaio de Souza e Silva, sócio da Outsider Tours e outras empresas que respondem a centenas de processos em todo o Brasil.

A empresa fica na Rua do Passeio, número 56, no 15º andar. O endereço é o mesmo de outras duas empresas de turismo que possuem Fernando como sócio , apesar de estarem inscritas sob CNPJs diferentes:

High Light Consolidadora Viagens e Turismo, fundada no dia 3 de novembro 2005

AIT Operadora de Turismo, criada em 1972 e com CNPJ ativo desde 3 de novembro de 2005

As duas empresas são citadas como polo passivo em processos por estelionato na venda de pacotes para eventos esportivos diversos, além de estarem no mesmo grupo econômico, a Outsider Holding.

Procurada, a defesa de Fernando Sampaio disse que sua família não tem conhecimento dessas outras empresas.

Estratégia para fugir de dívidas

Dono da Outsider é indiciado por estelionato; endividada, empresa oferece pacotes para a final da Libertadores

Em 2025, investigações da Polícia Civil do Rio e processos judiciais já apontavam que essa era uma estratégia consolidada por Fernando para dificultar o pagamento das dívidas.

Quando os clientes vão à Justiça e vencem os processos, muitos têm dificuldade para conseguir citar Fernando ou suas empresas, assim como executar as dívidas que a empresa precisa pagar.

Diferentes processos judiciais dos últimos anos citam que o modus operandi de Fernando reforça os indícios de "confusão patrimonial, ocultação de bens e fraude à execução".

Caso de Sergipe

O valor, pago pelas vítimas de Sergipe, de R$ 7,35 mil para cada um, serviria para pagar pacotes de hospedagem, ingressos e passagens de avião para assistir a final da Libertadores de 2025, em Lima, no Peru, entre Flamengo e Palmeiras.

Armando Neto, dono da empresa Turisport, e Fernando Sampaio, da Outsider — Foto: Reprodução/Facebook

A partir daí, o caso era bastante semelhante a outros denunciados pelo g1 Rio e pela TV Globo : à medida que a partida decisiva se aproximava, Fernando e Armando foram procurados pelas vítimas sobre os vouchers de viagem, que nunca foram entregues.

Depois, os dois pararam de atender às vítimas e desapareceram com o dinheiro recebido , " sem dar novas informações e nem efetuar qualquer ressarcimento pelo prejuízo causado ", segundo o Ministério Público de Sergipe.

Em nota, a defesa de Fernando informou que teve acesso à denúncia, mas que ainda não conseguiu obter a decisão que decretou a prisão preventiva de Fernando, que é réu primário, segundo seus advogados.

A defesa afirmou ainda que o crime pelo qual ele é acusado foi cometido sem violência ou grave ameaça, e que a acusação será submetida ao devido processo legal. ( veja a nota completa ao fim da reportagem).

Dono da empresa de turismo Outsider Tours é preso em Santa Catarina

Prisão mantida

Na sexta-feira, a Polícia Federal prendeu Fernando com um mandado de prisão da Justiça do Sergipe quando ele chegava no aeroporto internacional do Galeão. O empresário vinha de Balneário Camboriú , onde passou a morar no final do ano passado.

A prisão preventiva de Fernando foi mantida após audiência de custódia na Justiça do Rio. Fernando estava preso na unidade prisional de Benfica, na Zona Norte do Rio, até terça-feira (30), quando foi transferido para um presídio em Japeri, na Baixada Fluminense.

Na denúncia do MP do Rio, o promotor pediu a suspensão das atividades comerciais de todas as empresas ligadas a Fernando , e que as páginas em redes sociais e na internet sejam tiradas do ar. O objetivo é impedir que novas vítimas sejam lesadas.

Empresário foi preso em janeiro

Em janeiro de 2026, Fernando foi preso em Santa Catarina com um mandado da Justiça do Pará . Em abril, foi solto após realizar o pagamento do prejuízo para as vítimas.

Atualmente, Fernando responde a um processo criminal na Justiça do Rio de Janeiro por estelionato, crime pelo qual foi indiciado ano passado 2 vezes.

Em uma das ações judiciais recentes, Fernando tentou fazer acordo com o MPRJ para não ser processado, mas o benefício foi negado pela justiça.

O argumento foi que, somente no Rio de Janeiro, ele é alvo de mais de quarenta inquéritos por vender pacotes e não entregar.

Uma operação da Delegacia do Consumidor cumpriu 9 mandados de busca e apreensão contra Fernando e Armando Raymundo Neto em abril.

Fernando Sampaio é sócio da Outsider Turismo Ltda — Foto: Reprodução

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Alvos de mais de 600 processos

Em 2025, a Polícia Civil indiciou 2 vezes Fernando Sampaio, por estelionato. Ele e suas empresas são alvos de mais de 600 processos e registros de ocorrência em todo o Brasil.

Outras investigações estão em andamento em delegacias especializadas do Rio, além de uma investigação na Polícia Civil de São Paulo após um prejuízo de R$ 1,2 milhão para uma empresa paulista. Uma agência de turismo da Bahia cobra R$ 5,9 milhões de Fernando na Justiça Cível.

Outsider Tours inapta; ‘braço’ permanece ativo

Em novembro do ano passado, o CNPJ da Outsider Turismo LTDA, que tem o nome fantasia Outsider Tours, já era tratado como de uma empresa inapta.

O motivo citado no documento, obtido pela reportagem do g1 e da TV Globo, é que existe um inadimplemento da empresa em processos na Justiça do Trabalho.

Diversos clientes que ganharam processos contra a Outsider Tours na Justiça disseram que não conseguem citar a empresa ou Fernando. O suposto endereço da empresa era na Rua do Passeio, no Centro do Rio.

Para suas operações, Fernando ainda utilizava outras empresas :

Outsider Tour SP LTDA, localizada no Brooklin, em São Paulo;

AIT Operadora de Turismo LTDA, localizada na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio

High Light Consolidadora Viagens e Turismo LTDA, na Rua do Passeio, no Centro do Rio;

Turisport Turismo LTDA, localizada na rua da Quitanda, no Centro do Rio.

Infinito Viagens Turismo Eventos Limitada, na Rua do Passeio, no Centro do Rio

A empresa Arena Consultoria Esportiva pertence a Letícia Coppi da Silva, com quem Fernando teve um filho. A empresa foi aberta em março do ano passado. Segundo investigações da Polícia Civil do Rio, ela é usada para receber pagamentos pela Outsider.

Comprovante de pagamento feito para a empresa Turisport — Foto: Reprodução

Nota de defesa do empresário

"A defesa técnica de Fernando Sampaio de Souza e Silva, representada pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, informa que já obteve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público e a parte dos autos da ação penal em trâmite perante a Justiça do Estado de Sergipe.

Entretanto, até o presente momento, a defesa permanece sem acesso à decisão que decretou a prisão preventiva de Fernando Sampaio, uma vez que referido pronunciamento judicial segue submetido a sigilo. Essa circunstância impede o conhecimento dos fundamentos concretos que justificaram a medida cautelar e compromete o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa em relação à própria decisão constritiva.

A denúncia imputa a Fernando Sampaio, em síntese, a suposta prática do crime de estelionato simples, delito cometido sem violência ou grave ameaça. Trata-se de acusação que será integralmente submetida ao devido processo legal, com ampla produção de provas e efetivo contraditório, inexistindo qualquer juízo definitivo de responsabilidade.

Cumpre destacar, ainda, que Fernando Sampaio é tecnicamente primário e responde por imputação que, pelas suas características e pela ausência de violência ou grave ameaça, possui fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos legais para justificar a excepcional imposição da prisão preventiva.

A prisão cautelar constitui medida de natureza excepcional e somente pode ser decretada quando estritamente presentes os requisitos previstos na legislação processual penal. A defesa realizará rigorosa análise da legalidade da decisão tão logo lhe seja assegurado acesso aos seus fundamentos, adotando todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar os direitos e garantias constitucionais do seu constituinte.

Por respeito ao processo, ao sigilo judicial incidente sobre parte dos autos e à própria Justiça, a defesa não fará comentários adicionais sobre o mérito da acusação neste momento.

OAB/RS 107.991

Fernando Martins Xavier de Almeida

OAB/RJ 238.785

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